O bairro da Engenhoca limita-se com o Fonseca, Santana, Barreto, Tenente Jardim e com o município de São Gonçalo. Sua área é de 1,93 Km² e a densidade populacional registrada em 1991 é a mais alta da região, com 12.027 hab/Km².

O nome, oriundo de antigos engenhos existentes na área, é um tributo ao passado do bairro, que até 1920 era formado por três grandes fazendas: Fazenda das Palmeiras (com palmeiras dispostas em alameda até a entrada principal); Fazenda da Madame (localizada perto dos limites com o Fonseca) e a Fazenda do Alemão (próxima aos limites com o Barreto).

Com o término da 1ª Grande Guerra Mundial, inicia-se no Brasil o processo de industrialização que irá se espraiar por suas regiões metropolitanas, inclusive a do Rio de Janeiro. O vizinho bairro do Barreto torna-se um pólo industrial produzindo, basicamente, tecidos, vidro e fósforos. A Engenhoca, com seus amplos espaços, era o local ideal para moradia dos operários que trabalhavam no Barreto. Paralelamente ao parcelamento das terras observa-se a ascensão de alguns clãs familiares: família Esteves, família Sardinha e família Mendes. Estas famílias vão estar presentes em aspectos do bairro, quer sejam econômicos ou políticos.

Este caráter de divisão do espaço com conotações de delimitação de área de influência política, irá se manter por mais tempo e, podemos observá-la melhor quando constatamos a presença marcante da família Cravinho na parte da Engenhoca próxima ao Fonseca, ou de Francisco Esteves em outros locais do bairro, ou ainda a atuação de Renato Silva nas áreas mais pobres.

A partir de 1946 observa-se o início da pavimentação dos logradouros, bem como a inauguração da rede elétrica. É nesta época que também ocorre a incrementação do processo de parcelamento das terras do bairro, fato que propicia significativo aumento populacional. O comércio floresce, como pode-se comprovar pela presença, entre outros, de um grande armazém, pertencente ao Sr. Saraiva, bem como padarias e farmácias. A presença do bonde consolida esse desenvolvimento, como ademais irá ocorrer em outros locais do município.

O antigo Largo da Morte – que detinha esse nome por ser local de disputas entre estivadores – concentrava o comércio da época e foi posteriormente rebatizado como Largo de São Jorge, numa tentativa de recuperação de sua imagem. A Engenhoca de então tinha fama de bairro onde se concentravam valentes.

Do ponto de vista religioso, fato interessante era o ecumenismo. O bairro possuía, além da Igreja Nossa Senhora Mãe da Divina Providência, o Centro Espírita de José Neto, bem como igrejas evangélicas. Existia ainda no bairro um time de futebol – o Espírito Santo – datando desta época a construção do primeiro campo da Engenhoca. Posteriormente outros times foram criados: o Guarani, Teimosinho, Cadete, Palmeiras, etc.

O bairro é pioneiro em alguns aspectos, quer do ponto de vista social, quer do institucional. A Legião Brasileira de Assistência (LBA), à época presidida por Alzira Vargas, instalou na Engenhoca um posto de atendimento com uma das primeiras creches do Estado. Também no bairro observou-se uma tentativa de uso social da terra, com a atuação de Arlindo Drumond – dono de grande parte da localidade hoje conhecida como Cravinho – que oferecia suas terras para que famílias ali se instalassem produzindo para consumo próprio. Ainda em relação a esse pioneirismo, vamos encontrar também a presença da primeira vereadora de uma legislatura do país – Lídia de Oliveira.

Bairro eminentemente operário, onde a atuação do Partido Comunista foi sempre muito presente, encontramos no trabalho desenvolvido pelo médico Nelson Penna, através dos Centros Comunitários, um embrião das futuras associações de moradores.

Com o início do processo de decadência das indústrias do Barreto, refletindo o que vinha ocorrendo a nível nacional, transformações incidem tanto sobre esse bairro como também refletem-se na Engenhoca, expressando-se pelo esvaziamento populacional bem como pelo desaquecimento da atividade comercial.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:


Na década de 70, com a inauguração da Ponte Rio-Niterói, a Engenhoca passa a receber um fluxo de moradores oriundos de várias partes, o que não redundou no crescimento da população do bairro, visto que um grande número de moradores se deslocou para outras regiões. A expansão do bairro se dá pela ocupação de áreas pouco valorizadas, pertencentes ao poder público ou mesmo desocupadas, por pessoas de baixo poder aquisitivo. Essa ocupação ocorre predominantemente nos morros, áreas desprovidas de infra-estrutura, onde utilizam-se materiais e técnicas inadequadas, constituindo-se no processo de favelização que atingiu grandes extensões do bairro, representando parte considerável dos problemas hoje existentes.

Com relação ao padrão construtivo, predominam as residências de baixo padrão, havendo entretanto residências de padrão médio, degradado ou não, bem como um número considerável de domicílios de padrão considerado precário (PMN/Sumac) nas áreas favelizadas.

Existem atualmente doze favelas na área da Engenhoca que, dadas a constituição física do bairro e a intensa ocupação, confundem seus limites entre si. A estrutura urbana caracteriza-se também por várias vias internas que dão acesso aos bairros com que se limita e ao município vizinho de São Gonçalo. O bairro está quase totalmente pavimentado, apesar de estar em uma região que compõe o chamado “Mar de Morros”, em que se tem várias colinas ou morros alternando-se, e que até certo ponto, poderia dificultar a realização dessas melhorias.

A Avenida João Brasil que se inicia ainda no Fonseca, no cruzamento com a Alameda São Boaventura, atravessa o bairro no sentido longitudinal e se constitui na principal via de circulação e acesso da Engenhoca. Na rua Coronel Guimarães, a mais antiga e importante via na funcionalidade do bairro, está concentrado, de forma mais expressiva, o comércio local.

O comércio é bastante variado e atende as primeiras necessidades da população: conta com padarias, açougues, mercados, farmácias, lojas de materiais de construção, de calçados, de autopeças, bazares e outros. Também se localizam no bairro número razoável de oficinas mecânicas, serralherias e serrarias, além de oficinas de usinagem mecânica, para confecção de peças para embarcações pesqueiras de Niterói e São Gonçalo.

Com relação aos equipamentos públicos, a Engenhoca é servida por dois estabelecimentos de ensino e uma creche da rede municipal: E. M. Adelino Magalhães, E. M. Infante Dom Henrique e a Creche Municipal Neusa Brizola, além do Colégio Estadual Mullulo da Veiga.

Na área da saúde existe uma unidade da rede municipal que atende a população através de serviços ambulatoriais, consultas e vacinação, além de um posto do INSS, entre outras atividades.

Quase todos os domicílios existentes estão ligados à rede geral de água e à rede geral de esgoto, bem como a coleta de lixo atende a maior parte do bairro. Mas em algumas áreas esses serviços se mostram, ou pouco eficientes, ou mesmo inexistentes, principalmente onde houve ocupação mais recente pelas camadas mais pobres da população.

O intenso processo de ocupação ocorrido sob a forma de favelização, em períodos recentes, corresponde ao principal problema do bairro, envolvendo a ocupação de áreas de risco associada à carência de infra-estrutura básica, em conjunto com as próprias condições sócio-econômicas da população que aí reside.

Nas demais áreas do bairro não há indícios de que venha a se realizar, a curto prazo, de maneira representativa, a substituição das unidades unifamiliares, predominantes em toda Engenhoca, por apartamentos, que hoje representam pouco mais de 5,0% do total de domicílios, fatos estes decorrentes da localização do bairro em área periférica do município, à margem da “explosão” imobiliária, hoje característica da Região Oceânica.

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