O Caramujo limita-se com o Fonseca, Ititioca, Santa Bárbara, Sapê, Baldeador e Viçoso Jardim, numa área que constitui o chamado “mar de morros” que se caracteriza pela sucessão de vales e colinas de baixa altitude, bem como a ocupação de encostas pela escassez de áreas planas.

O nome Caramujo tem origem no fato de antes haver apenas uma via de acesso e de saída do bairro, a rua Dr. Nilo Peçanha, e pelas demais serem bastante sinuosas, constituindo-se em um lugar onde era necessário “dar muitas voltas” para se chegar ao destino ou para retornar ao ponto de origem.

Atualmente o acesso se faz por todos os bairros com os quais se limita, sendo a rua Dr. Nilo Peçanha, a rua Pastor José Gomes de Souza (antiga rua Colônia) e o caminho Jerônimo Afonso, cujo acesso se faz pela rua São José, as suas principais vias.

A ocupação inicial se fez sob a forma de sítios e fazendas, contando com a presença de imigrantes portugueses, italianos e alemães que ali desenvolviam diversas atividades agrícolas e também de comércio, através de casas de “secos e molhados” e de um abatedouro.

Já na década de 40, instalou-se o Grupo Escolar Luciano Pestre como forma de atender às necessidades do bairro quanto à educação, evitando que a população se deslocasse para o Centro de Niterói.

Com a chegada da Companhia Proprietária Fluminense inicia-se o processo de loteamento do bairro, ocasionando as modificações mais significativas entre as décadas de 50 e 60, que corresponderam a uma sensível redução do número de sítios e fazendas (através do parcelamento), em oposição a um considerável aumento do número de domicílios unifamiliares, que passaram a ocupar também as encostas. A ocupação mais intensa porém, aconteceu nos anos 70, em função do modelo econômico adotado no país que provocou o crescimento e a multiplicação de bairros periféricos, além do recrudescimento da favelização. O antigo Parque da Vicência junto ao Largo do Moura, que já foi um local de passeio e lazer das famílias, encontra-se hoje quase totalmente ocupado.

O comércio do bairro concentra-se ao longo das ruas Dr. Nilo Peçanha e Pastor José Gomes de Souza, e compõe-se de padarias, mercados, farmácias, açougue, lojas de materiais de construção, bares e mercearias. Contudo, apesar de diversificado, conta com número pequeno de estabelecimentos.

Pelo fato de o bairro ser constituído de população que, em sua maioria, é de baixo poder aquisitivo, o comércio local acaba não realizando grandes investimentos ou mesmo uma melhor qualificação, uma vez que a minoria residente que tem acesso a um tipo de comércio mais especializado acaba recorrendo ao já existente em outros bairros, como Fonseca e Centro de Niterói.

O serviço de transporte coletivo resumia-se a duas linhas de ônibus até um período bem recente, fazendo ligação com o Centro. Entretanto, houve alteração no trajeto de mais duas linhas, resultando em um percurso mais abrangente para o usuário, além da criação de uma outra linha fazendo a ligação entre o Caramujo e a Zona Sul da cidade, beneficiando em muito a população local são comuns, entretanto, as reclamações relacionadas aos horários e ao número de ônibus circulando nestas linhas.

A estrutura urbana do Caramujo, com seus vários acessos, condiciona a existência de muitos itinerários tanto internos quanto na periferia do bairro, o que reforça o papel desempenhado pelo transporte coletivo nos deslocamentos.

CARACTERÍSTICAS ATUAIS E TENDÊNCIAS:

O bairro apresenta-se bastante ocupado em quase toda a sua extensão, sendo que nas partes mais planas concentra-se tanto o comércio quanto as residências mais antigas, de padrão construtivo médio degradado.

No geral, o bairro é predominantemente ocupado por residências de padrão construtivo considerado precário(PMN/Sumac) tanto nas encostas dos morros quanto nos vales, sendo a população residente de baixa renda.

Os maiores problemas do bairro decorrem da deficiência dos serviços prestados à população, tais como o transporte coletivo que, apesar de melhorias recentes, não alcança as reais necessidades dos moradores; ausência de pavimentação em algumas vias secundárias, principalmente perto das encostas, além dos relacionados ao escoamento das águas pluviais e do esgotamento sanitário, problemas estes que vêm sendo minimizados a partir de obras iniciadas em período recente.

A ausência de planejamento e de uma maior ordenação no processo de ocupação do bairro acabou resultando na consolidação de vias principais com dimensões incompatíveis com as necessidades, uma vez que é intenso o tráfego de carros e caminhões no seu interior, em função deste atuar como um dos eixos de ligação entre as regiões Norte, Pendotiba e Oceânica. Também é bastante significativo o número de moradores que circulam a pé por essas vias.

Por localizar-se em área periférica do município, o bairro teve o seu maior período de crescimento, entre a década de 70 e meados de 80, sem o acompanhamento de obras de instalação de infra-estrutura ou mesmo de melhorias das condições urbanas. Isto resultou num desenho urbano caracterizado pela ocupação em áreas de risco, ausência de pavimentação e ausência de áreas de lazer, ocorrência de valas negras, entre outros problemas.

Apesar de antigo e bastante ocupado, o bairro somente sofreu processo de melhorias no final da década de 80 e início de 90, com a instalação da rede geral de água e pavimentação de grande parte das vias, solucionando em algumas áreas os problemas de abastecimento de água e reduzindo os relacionados ao acesso e circulação no seu interior.

Um assentamento feito pela Prefeitura de Niterói, em 1992, para abrigar a população procedente de uma favela que havia se estabelecido em terreno do Campus da Universidade Federal Fluminense, o Condomínio Maria Thereza, embora localizado geograficamente no bairro de Viçoso Jardim nos limites com o Caramujo, tem acesso realizado através desse último, sendo identificado, portanto, como pertencente ao Caramujo.

O número de equipamentos públicos na área da saúde se mostra insuficiente em razão de existir apenas um Posto de Saúde para atender as necessidades da população. O próprio crescimento que o bairro sofreu, somado à instalação do “vazadouro” de lixo e à ausência de urbanização em algumas áreas, além das condições sócio-econômicas da população, contribuem para o aumento da demanda.

Um Centro de Controle de Zoonoses, localizado no Morro do Céu, mas cujo acesso principal se faz pelo Caramujo, compõe o quadro dos equipamentos públicos na área da saúde, embora tenha suas ações dificultadas pela carência de recursos.

Com relação à educação, o bairro é servido por quatro unidades de ensino público: a Escola Estadual Luciano Pestre, a mais antiga; a Escola Municipal José de Anchieta, localizada no Morro do Céu; a Escola Estadual Alberto Brandão, junto aos limites com o Fonseca; e o CIEP do Caramujo, localizado às margens da Rodovia Amaral Peixoto. Estas escolas atendem também à população de bairros vizinhos como Baldeador e Viçoso Jardim. Cabe ressaltar também a Creche Girassóis, destinada aos filhos dos catadores de lixo e que tem como mantenedora a Companhia de Limpeza Urbana de Niterói (CLIN).

O bairro apresenta-se problemático com relação à segurança pública, uma vez que esta fica sob a responsabilidade da 78ª DP, localizada no Fonseca, bairro que dada suas dimensões e especificidades, já possui demandas significativas. Existe no Caramujo um prédio onde funcionava, no passado, a Subdelegacia do bairro, desativada por falta de recursos materiais e humanos.

A coleta de lixo é prejudicada pela dificuldade de acesso às áreas mais elevadas dos morros, onde a pavimentação ainda não foi realizada ou concluída, o que leva alguns moradores a queimar o lixo, ou então a jogá-lo em terrenos baldios, geralmente em áreas de encostas, provocando a ocorrência de deslizamentos de materiais. A coleta não alcança parte do Morro do Céu, principalmente a área próxima ao Morro do Calixto, no vizinho bairro de Ititioca, onde os moradores que ocupam o vale existente entre esses dois morros utilizam terrenos baldios e um córrego, que passa pelo fundo do vale, como destino para o lixo produzido.

A principal fonte de degradação ambiental da região é o vazadouro de lixo do Município, situado em área do Morro do Céu. A área original ocupada pelo vazadouro caracterizava-se pela presença de vales com declividade acentuada, hoje ocupados, na sua maior parte, pelo material depositado no decorrer de seus mais de dez anos de existência. Neste período nota-se um crescente processo de degradação, destacando-se entre os vários impactos ambientais: a contaminação do solo e do lençol freático pelo chorume; a liberação de gases combustíveis, além de tóxicos, pela decomposição dos resíduos orgânicos depositados; a mudança significativa do relevo e extinção da vegetação, contribuindo com a alteração tanto da drenagem superficial, quanto do microclima local; acúmulo de material junto às vertentes, favorecendo a ocorrência de processos de escorregamentos (deslizamentos); presença de vetores nocivos à saúde do homem; além da própria expansão que a área do vazadouro vem sofrendo, aumentando ainda mais sua proximidade com os moradores, comprometendo a qualidade de vida destes na mesma proporção.

Somam-se a estes fatos, bem como decorrem destes, o processo de desvalorização das áreas próximas ao vazadouro, além das questões sócio-econômicas que envolvem os diversos catadores de lixo que aí atuam, desprovidos de quaisquer vínculos ou garantias trabalhistas, e que estão em contato direto e quase que permanente com o lixo.

One response to “Caramujo”

  1. Quais os morros existentes nesta area alem do morro do ceu?

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